VIVER DÁDIVA É, brasileiro ser,comenda é

VIVER DÁDIVA É, brasileiro ser,comenda é

13 de jun de 2011

CENTÉSIMO VIGÉSIMO TERCEIRO ANIVERSÁRIO DE FERNANDO PESSOA

TRIBUTO TODO, AO MAIOR POETA PORTUGUES DO SÉCULO XX, MESTRE DOS MESTRES, NA ARTE DO VERSAR E ESCRIBA SER!



POST DEDICADO A FERNANDA FERREIRA, AMIGA INESQUECÍVEL E A MARIA JOSÉ AREAL
POETA INFINITA E MADRINHA MINHA!
VIVA FERNANDO PESSOA!
VIVA A VIDA!

VIVER É PURA MAGIA!



Poema Em Linha Reta letra





Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.



E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

Indesculpavelmente sujo.

Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,

Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,

Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,

Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,

Que tenho sofrido enxovalhos e calado,

Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;

Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,

Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,

Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,

Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado

Para fora da possibilidade do soco;

Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,

Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.



Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...



Quem me dera ouvir de alguém a voz humana

Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.

Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó principes, meus irmãos,



Arre, estou farto de semideuses!

Onde é que há gente no mundo?



Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?



Poderão as mulheres não os terem amado,

Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!

E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,

Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?

Eu, que venho sido vil, literalmente vil,

Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

2011 23:53




Luís Coelho disse...

Todo o ser humano tem as duas vertentes e até os maiores assassinos, ladrões, vigaristas e sem moral têm momentos de reflexão.



Há dias em que acorda dentro de nós a vontade de rectificar e corrigir.

Há dias em que somos bons querendo o bem.



14 de junho de 2011 01:50



SOL da Esteva disse...

Ricardo Amigo



Enalteço a Homenagem/Memória de Pessoa.

É bom haver quem se lembre, já que não há Profetas que o sejam na sua Terra.



Abraços



SOL



14 de junho de 2011 13:11
Maria Emilia Xavier disse...


Lindíssima homenagem meu amigo. Saudades de vir por aqui, apreciar tanta beleza - visual e escrita. O Post a Santo Antônio, ficou especial. Você sempre se transcende, quando a gente acha que nada mais belo pode ser feito você derrama sua inspiração através de uma criatividade maravilha.

Aplausos, aplausos, sempre.



13 de junho de 2011 23:
:11




Fernanda disse...

Meu querido amigo Ricardo!



Nunca te abandonarei. NUNCA!

Nem sonhes com essa ideia estapafúrdia.



Obrigada pela dedicatória a mim e à nossa querida Maria José.

Não sei se ela virá cá, vou atrever-me a pedir-lhe.

Sabes que estou sempre com ela, somos mais do que amigas, quase primas e temos vivências conjuntas.

Ela continua doente e acabou de apanhar um grande susto, mas não tem emenda. Ela não para um segundo, é um vulcão de energia e de doação aos outros.

Embora a admiro muitíssimo, temo que se esgote um dia.

Olha querido, o Pedro só chega no sábado, dia 18 às 17.15.

Estou a contar os dias e o coração já bate acelerado de alegria.

Depois conte-te tudo.

TUDINHO.



Deixo-te ainda aqui, um poema inédito que a tua madrinha te fez quando foste operado. Lembras-te dele?





"Oração a ti.



Às vezes o céu parece fechar-se sobre a terra.

Apaga as luzes, corre as cortinas

E desce de mansinho simulando ser anjo ou mesmo ladrão.

Agacha-se contra o chão

E pede socorro, implorando um abraço,

E solta gemidos que vêm do fundo, bem do fundo do seu coração.

Perde, por instantes,

O estatuto de ser dono das montanhas

E espaço de guarida das estrelas, do sol e da lua.

Ganha humildade, modéstia e compaixão por esta terra

Que lhe serve de alcofa, de cama, de chão.

Às vezes o céu parece fechar-se sobre a terra.

Em desequilíbrio, com alguma doidice a permeio,

Semeia o sabor entre a gente de o termos por perto.

Esticamos os braços para lhe tocar,

Enroscamo-nos em seu regaço para eternizar

O momento, o tempo, a exaltação.

E pasmamos de júbilo entoando canções.

Alegrem-se os anjos, exultem de alegria,

Que começava a ser tarde a madrugada deste dia!

Corre as cortinas,

Desce as persianas,

Agacha-se à terra

Em súplicas e preces

Na busca incessante…

Do equilibro perdido."



Inédito, de Maria José Areal





Beijo e abração enorme.





14 de junho de 2011 15:54



antes blog do que nunca! disse...

"És melhor que tu, não digas nada, sê!" (Fernando Pessoa).



Querido Ricardo,



Junta Mariza e Pessoa no mesmo Post é maravilha ao quadrado. Parabéns"



1 Bj*

Luísa



P.S Aconselho também a versão em espanhol com José Mercé: http://www.youtube.com/watch?v=7WutNz4lUWc

(Posso ouvir mil vezes e mil vezes vou chorar...é linda...ouve :)



14 de junho de 2011



7 comentários:

  1. Lindíssima homenagem meu amigo. Saudades de vir por aqui, apreciar tanta beleza - visual e escrita. O Post a Santo Antônio, ficou especial. Você sempre se transcende, quando a gente acha que nada mais belo pode ser feito você derrama sua inspiração através de uma criatividade maravilha.
    Aplausos, aplausos, sempre.

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  2. Todo o ser humano tem as duas vertentes e até os maiores assassinos, ladrões, vigaristas e sem moral têm momentos de reflexão.

    Há dias em que acorda dentro de nós a vontade de rectificar e corrigir.
    Há dias em que somos bons querendo o bem.

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  3. Ricardo Amigo

    Enalteço a Homenagem/Memória de Pessoa.
    É bom haver quem se lembre, já que não há Profetas que o sejam na sua Terra.

    Abraços

    SOL

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  4. Meu querido amigo Ricardo!

    Nunca te abandonarei. NUNCA!
    Nem sonhes com essa ideia estapafúrdia.

    Obrigada pela dedicatória a mim e à nossa querida Maria José.
    Não sei se ela virá cá, vou atrever-me a pedir-lhe.
    Sabes que estou sempre com ela, somos mais do que amigas, quase primas e temos vivências conjuntas.
    Ela continua doente e acabou de apanhar um grande susto, mas não tem emenda. Ela não para um segundo, é um vulcão de energia e de doação aos outros.
    Embora a admiro muitíssimo, temo que se esgote um dia.
    Olha querido, o Pedro só chega no sábado, dia 18 às 17.15.
    Estou a contar os dias e o coração já bate acelerado de alegria.
    Depois conte-te tudo.
    TUDINHO.

    Deixo-te ainda aqui, um poema inédito que a tua madrinha te fez quando foste operado. Lembras-te dele?


    "Oração a ti.

    Às vezes o céu parece fechar-se sobre a terra.
    Apaga as luzes, corre as cortinas
    E desce de mansinho simulando ser anjo ou mesmo ladrão.
    Agacha-se contra o chão
    E pede socorro, implorando um abraço,
    E solta gemidos que vêm do fundo, bem do fundo do seu coração.
    Perde, por instantes,
    O estatuto de ser dono das montanhas
    E espaço de guarida das estrelas, do sol e da lua.
    Ganha humildade, modéstia e compaixão por esta terra
    Que lhe serve de alcofa, de cama, de chão.
    Às vezes o céu parece fechar-se sobre a terra.
    Em desequilíbrio, com alguma doidice a permeio,
    Semeia o sabor entre a gente de o termos por perto.
    Esticamos os braços para lhe tocar,
    Enroscamo-nos em seu regaço para eternizar
    O momento, o tempo, a exaltação.
    E pasmamos de júbilo entoando canções.
    Alegrem-se os anjos, exultem de alegria,
    Que começava a ser tarde a madrugada deste dia!
    Corre as cortinas,
    Desce as persianas,
    Agacha-se à terra
    Em súplicas e preces
    Na busca incessante…
    Do equilibro perdido."

    Inédito, de Maria José Areal


    Beijo e abração enorme.

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  5. "És melhor que tu, não digas nada, sê!" (Fernando Pessoa).

    Querido Ricardo,

    Junta Mariza e Pessoa no mesmo Post é maravilha ao quadrado. Parabéns"

    1 Bj*
    Luísa

    P.S Aconselho também a versão em espanhol com José Mercé: http://www.youtube.com/watch?v=7WutNz4lUWc
    (Posso ouvir mil vezes e mil vezes vou chorar...é linda...ouve :)

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  6. Olá Ricardo Calmon, que tudo permaneça bem contigo!
    Bela homenagem a este mestre, e este teu agradável espaço é deveras repleto de belos escritos de mestres da expressão com palavras escritas, parabéns pelo belo espaço!
    Além do que e por demais de belas as imagens por aqui postadas, muito belas mesmo!
    E meu caro sempre que tenha qualquer informação sobre nossa amiga Melliss, grato pela preocupação em avisar, eu sabia do problema, somente não imaginava o tamanho da gravidade. Obrigado pelas notícias. Desejo a você e todos ao redor muitas felicidades sempre, grande abraço e até mais!

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  7. Olá, boa tarde!
    Eu venho te convidar a visitar meu blog de POESIAS. Se gostar e quiser me SEGUIR, vou gostar de ter seus coments. Já te SIGO com Alegria! Saúde e muitas Felicidades, hoje, amanhã e sempre.
    Abraço iluminado,
    João Ludugero, Poeta.
    www.ludugero.blogspot.com
    Até mais!

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